segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Presentimento

Fui escrevendo devagar, de modo a ser menos a probabilidade de me enganar.
Corri o risco de não usar as palavras certas que te fizessem entender, interpretando as fases da tua reacção.
As pessoas perdem-se entre o que se sabe e o que se devia saber, entre o que há em nós e o que devia existir.
Fica-se sentada, á espera e a ver o tempo passar enquanto que lá fora o vento já não passa a mesma mensagem.
Há qualquer coisa em nós que nos diz que algo já não está tão certo, não há uma troca de palavras. São olhares que já não fazem parte, pousa-se os sorrisos e leva-se a seriedade.
Era uma vez uma história que começou por ser segredo, acabou solta e escondida em nós.
Foram dias que o deixaram de ser, foram pessoas que deixaram de crescer.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A cada lua cheia tão cheia de simplicidade, tão incerta de uma novo dia.
A cada silêncio incontrolável sem poder para mais, sem poder para menos.
A cada desejo guardado sem vozes para os ditar.
A cada força interior sem imagem para a mostrar.
A cada olhar perdido sem opção para o encontrar.
A cada palavra pronunciada sem imaginar o seu significado.
Compensa-se por cada palavra escrita numa folha de papel, pela ingenuidade em acreditar, pelos sorrisos entregues, pela inocência, pela coragem em não desistir.
Num tempo, ora perto ora longe, talvez no fim do arco-íris, entre muitos tesouros era tudo tão certo e planeado ao pormenor.
Tudo calculado e as soluções eram diferentes, na formula apontada faltava o numero coerente.
As nuvens de algodão continuam a ser desenhos, as escadas degrau a degrau levam-te a níveis mais pequenos, contudo havia uma varinha com alguma magia, um baralho de cartas viciado, uma estrela de quatro pontas e um livro apagado.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Atenção

É uma vida, em que em cada dia se espera algo diferente.
Um momento marcante ou apenas uma palavra de apoio, em que cada vez mais, tudo muda, passas de importante a sem significado algum.
Guardas recordações em fotografias, passam-se anos e o coração na mais perfeita aflição não reage, sente-se o peso dos braços caírem sobre o próprio corpo, percebe-se que as forças foram deixadas em cada pegada.
O olhar já só vê o passado e é tudo relembrado, conta-se histórias e fala-se de memórias enquanto se está sentado no velho e sujo banco de jardim.
É lá que se entristecem, sentem-se abandonados e são tratados com desdém.
Mas com os seus sorrisos encantadores, demonstram solidariedade por quem está em fase de negação.
Porque atenção, tudo o que começa tem um fim.